Dias Depois ... ou "his master voice"

Há tanta coisa para fazer. Ouvimos, pensamos, reflectimos, chegamos a equacionar, tomamos algumas decisões. Também, dispendemos energia, a andar, a falar, e em muitas outras coisas. Dentro de um manancial de acções, falar parece ser uma das preferidas, que nos revela e que nos oferece a capacidade de melhor exprimir tudo o resto. Falar sobre falar é incomensurável, não terminará nunca.
No entanto, fala-se por vezes quando se não deve. Quando falar representa pensar ou o silêncio, puro, cru. Assistimos a exercicios da fala que não devia existir, quase diáriamente. Se tivessemos disponibilidade e interesse poderíamos passar todos os dias a ouvir coisas que não deviam ser ditas. Por isso, falar sobre isto não terá muito interesse.
Contudo quando me preparava para passar um dia em meditação acabei escutando algo que não devia. Algo que não devia ser dito as que acho por bem partilhar: diverte.
Pois, dia 11 de Setembro, aquele fatidico dia, de todos conhecido, recebe anualmente honras de "antena aberta" e aí surgem sempre surpresas de bradar aos céus.
Para quem não sabe "antena aberta" é um daqueles programas que as rádios de informação ou com programs de informação adoram fazer para passar os finais da manhã ou da tarde. Quase sempre abordam situações actuais de politica, de costumes , sociais e desportivos.
Nesses programas o povo tem a palavra e fala sem interrupções, não importa bem o quê, apenas que tem o "direito civico" de falar, de exprimir opinião: vicios da democracia.
Opinativo, quase sempre o povo fala do coração, como sabe, mesmo quando o texto foi preparado. São momentos de glória que repetidos, também, ajudam a satisfazer o ego e a promover a auto-estima e a especulação sob uma onda virtual de sensores auditivos, como se a ponta das estrelas produzisse pequenos choques de 6 volts. Arrepiante.
Foi o que aconteceu seguramente no passado dia 11 de Setembro, quando na "antena aberta" do RCP, debaixo do tema óvio do dia comecei por ouvir uma das intervenientes dizer sobre eles (povo americano) - que estavam mesmo a pedi-las (sic).
E, acrescentou, em determinada altura, que par além de estarem mesmo a pedi-las era muito bem feito, na medida em que eles, já no passado recente tinham deitado duas bombas atómicas.... uma na Alemanha e outra em França (sic).
Num primeiro impulso desliguei o rádio. Depois, repentinamente voltei a ligar e continuei escutando o que esta e outras pessoas iam dizendo. A seguinte concordou, depois veio outro e disse "redondamente" o mesmo. Mais um a assentar com a primeira opinião e julguei que não passava de uma intervenção articuladas com as restantes, do tipo algo preparado pelo PCP, tão pródigo neste tipo de desinformação. Finalmente, o último lá disse que uns não têm que pagar pelos outros.
Julguei-me 5 mil anos antes, de volta a uma civilização imprópria. Julguei-me entre bestas. Senti a falta de uma luz orientadora e reconheci que esta civilização caminha a passos largos para a sua própria extinção. Inequivocamente.
Nota: O primeiro interveniente que escutei, a tal do "estavam mesmo a pedi-las" chama-se Helena Moreira. Aviso só para o caso de se cruzarem com ela, sem pena, apenas com repulsa.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

http://apoiarmauritania@blogs.sapo.pt

Portugal e adiante

Colher