Almedalen


Almedalen é o nome de um dos mais famosos jardins do mundo. Então, porque nunca ouvimos falar dele, pode perguntar-se. Simplesmente porque ele está situado na cidade de Visby, na velha Gotland, no meio do Baltico. Só isso ? Não. Deve acrescentar-se o facto de sermos ignorantes demais. Papalvos, mais envolvidos com uma carne de porco à alentejana do que com o mundo que nos rodeia. Os alentejanos que me perdoem (já tenho umas cotelas a contorcerem-se). Os, que isto lerem, também.
Almedalen recebe, desde há muito, e durante uma semana de todos os meses de Agosto, até à eternidade, reis, governos, deputados, e os demais cidadãos do reino da Suécia que ali se queiram apresentar.
Durante uma semana, de manhã à noite, aquele pequeno e bonito jardim acolhe governantes e povo e, os primeiros têm a primazia de discutir os problemas da nação e da governação ao ar livre, debaixo de um pequeno abrigo. Todos, mas todos abordam temas, tecem comentários e até tomam decisões. O povo assiste´, mas, por vezes, até pode intervir. Há tempo para tudo, porque eles entendem que o tempo é um bem precisoso e que deve ser absorvido com tranquilidade e com a responsabilidade inerente ao cargo que desempenham.
Quais silêncios ? Quais reentrés ? Não é fácil imaginar que tal é possível entre eles , pois não ?
Então e porque não equacionamos o mesmo entre nós ?
Bem, deixem para lá, falemos de outra coisa.
Já sabem qual foi a bomba de gazolina assaltada hoje ?


Sandra Paulsen, emigrada à cerca de 10 anos em Estocolmo escreveu assim:
Semana de Almedalen
No sábado, 12, foi o encerramento da Semana de Almedalen (Almedalsveckan), que começou no dia 6 de Julho. O “Festival de Política” sueco ocorre sempre no começo do mês de Julho, no parque cujo nome em português seria “Vale dos Olmos”, em Visby, principal cidade da ilha de Gotland.
A origem do evento anual está nos discursos que o ex-Primeiro Ministro social-democrata Olof Palme proferia nos verões de Visby, começando lá pelos idos de 1968. Mas hoje em dia, a Semana de Almedalen reúne não apenas políticos da social democracia, mas de todos os partidos. Todos aqueles interessados na política sueca – jornalistas, políticos locais e nacionais, representantes de organizações sociais – juntam-se em Visby. Este ano, foram mais de 300 os jornalistas credenciados.
Em sua versão 2008, a também chamada Semana dos Políticos contou com um número recorde de eventos e atividades (mais de 600) e com a presença de todos os líderes dos principais partidos políticos suecos: Folkpartiet (Partido do Povo), Centerpartiet (Centro), Socialdemokraterna (Social-Democracia), Kristdemokraterna (Democracia Cristã), Miljöpartiet de Gröna (Verdes), Moderaterna (Moderados) e Vänsterpartiet (Esquerda).
Cada líder, um por dia, às 19 horas, apresenta seu discurso de meia hora, neste que é o “maior ponto de encontro” da Suécia para discussão de questões sociais e políticas, com debates e troca de opiniões. Além disso, organizam-se seminários, palestras, encontros, etc.
O interessante é que o festival ocorre todos os anos e não apenas nos anos de eleição. Os organizadores são os partidos políticos com representação no Parlamento, e o Município de Gotland é o anfitrião. É como se fosse uma enorme conferência. Aqui vai uma amostra dos temas discutidos este ano:
- A cultura da honra – é possível que a liberdade dos jovens seja uma ameaça às famílias?- O poder da mídia - O que fazer contra a discriminação? - O caminho para a cooperação política acima das fronteiras partidárias - A problemática ambiental - O papel da União Européia - Religião e integração social - Drogas e criminalidade - Saúde pública e bem-estar social
Entre outras coisas, no decorrer da Almedalsvecka, faz-se a entrega de um prêmio à melhor “marca” da semana. O prêmio é entregue ao ator social (empresa, organização, pessoa) que empreendeu a melhor campanha de comunicação para sua própria organização ou atividade. O mais interessante é que os vencedores deste ano foram o jornal cristão Dagen e o Exército da Salvação, com sua marca “(g) som i Gud”, que em português seria algo assim como “D de Deus”.
Apesar de ter estudado algo de Ciência Política em priscas eras, não sou especialista no assunto e nunca estive presente no festival. Mas, posso recomendar a ilha de Gotland para uma visita, a qualquer tempo. Foi o refúgio de Ingmar Bergman e é dos lugares mais lindos da Suécia!

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