Colher

Muitas colheres têm uma concavidade acentuada e, certamente nenhuma será chata. Logo as colheres estão livres de ser como algumas pessoas que conheço. A colher serve para muitas coisas. A sua utilidade mais conhecida é a de levar a sopa do prato à boca. Mais recentemente a colher também é utilizada como instrumento de apoio à engorda e, disso são alguns doces os seus melhores testemunho. Nos liquidos a colher tem também uma palavra a dizer, e, se o chá a evita com algum desdém, no café ela é quase obrigatória. A colher também é utilizada na fraseologia comum, em jeito de ditado popular, de que destaco a mais usada " entre marido e mulher não metas a colher". Procurei o seu sentido etimológico e não encontrei. Estou convicto que surge da palavra colher (colhêr), de juntar uma porção. Bem, mas isso fica para quem sabe.
Contudo o ditado já referenciado, deixou-me nas antenas um fio condutor de palermice que me levou até S. Bento. Aí promete-se meter a colher entre marido e marido, coisas novas, novas tendências no sentido aberrativo, do contra natura. Mas está na moda e, certamente, surgirá um ditado assim: "entre boa paneleiragem, faz boa viagem"; ou mais comedido, assim: "entre briga de bichas, que não se metam os rabichas". De qualquer forma, a sabedoria popular saberá acrescentar e trazer novidades a respeito (e com respeito!).
Contudo o ditado já referenciado, deixou-me nas antenas um fio condutor de palermice que me levou até S. Bento. Aí promete-se meter a colher entre marido e marido, coisas novas, novas tendências no sentido aberrativo, do contra natura. Mas está na moda e, certamente, surgirá um ditado assim: "entre boa paneleiragem, faz boa viagem"; ou mais comedido, assim: "entre briga de bichas, que não se metam os rabichas". De qualquer forma, a sabedoria popular saberá acrescentar e trazer novidades a respeito (e com respeito!).
Como o texto não pode ficar carregado de tão ignóbeis propósitos, houve que procurar dar mais relevo à colher. Houve, de facto, um tempo em que a colher foi bem mais útil, se nos lembrarmos dos nossos antepassados romanos que em determinada altura deixaram de usar faca e garfo passando a usar exclusivamente colher. E, só mais tarde, durante a Idade Média, a colher voltou a ter a grande companhia da faca, primeiro, quando a maioria das pessoas comia com os dedos, ou pegava a comida com pedaços de pão amolecido, e finalmente quando os homens espetavam os bocados mais apetitosos nas pontas da faca que traziam para o jantar, não para que servissem de armas, mas para cavalheirescamente cortar a carne servida às suas companhias femininas. Nesse período, só no Império Bizantino se usava o garfo. E, já o seculo XII tinha passado, quando, primeiro em Itália e mais tarde no resto da Europa, a colher voltou a ter a companhia da faca e do garfo, este ultimo considerado afeminado.
Mas a colher, como assunto, não se esgota nas suas aplicações, nos ditados ou analogias, e escrever um pouco sobre ela é bastante redutor. A colher leva-nos para um outro mundo muito mais interessante e complexo, para o patamar do entendivel, do conhecimento, dos sentidos. Satirizando ou não ela leva-nos ao conhecimento de nós próprios bastando, para isso, analisar a forma como a utilizamos. E, isto "tem pano para mangas" !
PS. Colher pode traduzir-se em inglês para Spoon (Spoon é uma banda indie americana originária de Austin, Texas).
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