Capitalismo Tórrido


Recebi um texto sobre uma palestra dada por um determinado senhor a propósito do futuro. Posso resumir assim.
Estou proibido por mim mesmo de transcrever textos de outros ou mesmo de os analisar e comentar.
Na vida encontramos algumas prisões que, por princípios supostamente adquiridos e tidos como relevantes, temos de aceder. Então, fechado, enclausurado nesses virtualismos e purezas de concepção e gestação, tomei-me como ladrão e calei-me.
Mas não resisto a passar algumas partes do texto, mesmo sob pena de autocrítica e comiseração pessoal:
Kjell Nordström, o sueco doutorado em Economia, co-autor dos aclamados “Funky Business” e do mais recente “Karaoke Capitalism”, foi um dos três oradores convidados da conferência “Business Innovation in 2009: How innovation can lead you through challenging times”. Como já é seu hábito, o homem que rompe as regras do cinzentismo nos negócios, em literalmente todas as suas esferas, envolveu a audiência e obrigou-a a acompanhar o seu raciocínio rápido, inspirador e, muitas vezes, provocador. “O capitalismo não está com problemas, a General Motors é que está com problemas”, exemplificou, chamando a atenção para uma entrevista que David Attenborough, o famoso naturalista e apresentador de televisão, deu à BBC, na qual lhe foi questionado se estávamos a viver uma crise na Natureza [relativamente às alterações climáticas]. Na altura, Attenborough respondeu com firmeza: “Crise? Certamente que não. A Natureza não está com problema algum. A Humanidade é que está com problemas. Porque a Natureza muda!”.
A metáfora utilizada segue igualmente a mesma ordem de ideias da selecção natural proposta por Darwin e não só porque se celebra este ano o seu bicentenário. É que o capitalismo, visto como uma máquina poderosa e bem oleada, está a funcionar perfeitamente e limita-se a fazer uma triagem: os eficientes sobrevivem, os ineficientes perecem.
Para Nordström, “o capitalismo não é uma ideologia (ser-se democrata ou republicano, sim, obedece a questões ideológicas), mas sim uma ‘maquinaria’, que nos oferece uma mensagem: estamos rodeados de ineficiências e temos trabalho árduo pela frente”, afirma. Esta máquina não se limita a separar o trigo do joio, mas é ela também que confere a recompensa para aqueles que a merecem: é que no coração da máquina do capitalismo, existem duas “peças” - a criação de riqueza e a inovação - que basicamente se fundem numa só.
Contudo, existe um conjunto de forças que afectam esta máquina. E, para os que só pensam na crise e se esquecem que existe um enorme mundo para além dela, Nordström resume as tendências que marcam a nossa sociedade actual e que terão de ser levadas em conta para aqueles que não quiserem ser expulsos da engrenagem mecânica.
Tem alguma razão, este pensador sueco. Contudo gostaria que ele nos dissesse o que faz ao joio quando o separa do trigo ? tritura ? embala e enterra ? Nesta analogia o que devemos fazer com as pessoas que pelas mais diversas razões não estão suportadas por máquinas bem oleadas e a funcionar em pleno ?
É preciso ter cuidado com as analogias que deturpam e confundem o pensamento. Foi assim que Hitler começou, procurando separar o trigo do joio, e deu no que deu.
Sem querer ofender os seguidores de tais teorias e, mesmo, práticas capitalistas, deixo um aviso á navegação: ainda que o mar nunca acabe, as marés e os ventos mudam, existem saliências rochosas e icebergues nas melhores rotas e, para além dos perigos, o bom capitão não deve esquecer-se da sua tripulação pelo que deve ter armazenado no porão boa água, comida e demais artefactos que façam da coabitação a bordo um prazer e um sentido de vida. Ah ! Não esquecer, que demasiada exposição ao sol faz mal a todos. É, assim, a natureza.

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